OPINIÃO: Paulo Lima - A Política, a Politicagem, o Pão e o Circo e a Gravata

24/05/2016

 

 

 

 

 

 

A Plítica, a Politicagem, o Pão, o Circo e a Gravata

Não é de hoje que estamos acostumados a ver a política não necessariamente como ela é, ou pelo menos, deveria ser: que, em sua essência, significa "de, para, ou relacionado a grupos que integram a Pólis”, denomina-se a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados; aplicação desta ciência aos assuntos internos da nação (política interna) ou aos assuntos externos (política externa). Nos regimes democráticos, a ciência política é a atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seu voto ou com sua militância. Vemos, sinceramente, um show pirotécnico de artes escandalosas que promovem o interesse pessoal de alguns, beneficiando suas partes nas mais íntimas intenções.

O que, vemos, na verdade, é um jogo de interesses e favores, buscando, a todo custo, a evidência, o enriquecimento e o poder. Essas peripécias, muito bem disfarçadas e planejadas fazem com que o povo seja um coadjuvante, não muito ilustre, dessa maracutaia que, a cada dia, toma rumos jamais imagináveis. Devomos muito à tecnologia, em especial, à Internet, que veio de forma brilhante e às vezes dura mostrar-nos um Brasil podre, sujo, dissimulado e dissoluto. Quem imaginaria que, no interior da Bahia, em nossa cidade Paulo Afonso, pessoas simples estaria debatendo sobre política? Que saberiam que no Supremo Tribunal Federal tem MINISTROS em vez de juízes? Mas, a parte ruim dessa história é que o debate alcançou a todos, mas a consciência e o discernimento não.

Estamos vendo a nojeira ser apresentada como o mais lindo prato de um renomado Chef Gourmet. O evento mais importante do mundo, pelo menos, nos esportes, está prestes a acontecer em uma cidade brasileira, na cidade Maravilhosa, no rio de Janeiro. Mas, assim como a Copa do Mundo, que construiu com o dinheiro público 12 arenas pelo país afora, a passagem da Tocha, por exemplo, tem feito o mesmo: desperdício de dinheiro e ilusão da população. Que time de futebol do Amazonas, por exemplo, importante para o cenário nacional que mereça se fazer uma Arena da Amazônia? Ou que time de futebol tem o estado do Mato Grosso do Sul para merecer um estádio novinho em folha? A Copa se foi, e aí? Esses estádios estão proporcionando gastos incalculáveis, insustentáveis para estados que nem sequer têm políticas de “esportes”.

Mas, vamos voltar à Tocha Olímpica. Um foguinho que tem mobilizado prefeituras para mostrarem-se competentes e, ao mesmo tempo, mostrarem suas cidades em míseros minutos, para o Brasil e o mundo. Mas que envolvimento tem Paulo Afonso com o esporte olímpico para ter essa honra, como muitos dizem? O que tem Paulo Afonso para gastar somas volumosas para asfaltar ruas que não precisavam ser asfaltadas? E a periferia, que nem vai sair na foto (é claro) que precisava de tantos cuidados e nada? O circo está instalado e o povo vai aplaudir, depois, quando a nuvem passar, a fome sobrevém, mas os políticos dão um jeito de arrumar pão. Quer ver um exemplo: acordei hoje e vi a notícia de que a Prefeitura distribuiu, em pleno mês maio, fardamento e material escolar (de péssima qualidade e baixíssimo custo, diga-se de passagem) para alunos da Rede Municipal de Ensino, e com a pompa de que isso não é necessário, ou melhor, obrigado por Lei. Não sou contra, mas, como ficam as questões das escolas públicas dos povoados da Área Rural que tiveram cortes de toda a natureza para evitar custos, com salas abarrotadas de crianças numa política de colocar em sala de aula alunos de diferentes séries e idades,  que só traz atraso no aprendizado?

Enojo-me, a cada dia, com esse joguinho idiota de ludibriar as pessoas tão sofridas que, na visão deles, o que elas possuem de mais importante é o voto. Não é a dignidade, não é a humanidade, não é o respeito, não é simplicidade desse povo sofrido que eles valorizam, é e sempre vai ser, o voto. Quando vamos acordar para, verdadeiramente, enxergar que politicagem não é a verdadeira política, que pão e circo não é, verdadeiramente, o que precisamos? Teremos nós de nos tornar romanos para sermos açoitados pelo poder e sermos  devorados pelas feras bestas da ganância sórdida e sem escrúpulos desses administradores e legisladores?

Ainda bem que a nossa identidade está em nossa alma, em nossa essência. Somos todos iguais, então para quê nos curvarmos para a gravata?

Paulo Lima é jornalista, professor e empresário, e editor-chefe do site Primeira Mão Notícias


 

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