OPINIÃO A Tocha - por Epidauro Pamplona

30/05/2016

Primeira Mão Notícias - fotos Paulo Lima

 

 

 

 

 

 

“Segundo os gregos, inventores do fogo simbólico, ao vencer os romanos o general Pirro teria respondido a um soldado que lhe teria demonstrado alegria que outra vitória como aquela o arruinaria completamente”.

Além de massagear o ego narcisista do senhor prefeito, a passagem da Tocha Olímpica por Paulo Afonso trouxe o maior aparato médico/cardiológico e policial já visto neste lugar, e o gestor público tentou mostrar para o mundo a face bela da cidade onde a natureza, o tempo e o vento e a engenharia do ser humano, criaram obras de puro prazer celestial para os olhos de quem mira o binômio, natural/artificial, cartão postal da Capital da Energia que a TV aberta, tendenciosa ou imparcial ou não acordada, não mostrou para a Bahia, nem para o Brasil nem ao mundo. O sucesso inquestionável do simbolismo do fogo olímpico intramuros, dentro de casa, foi um “tiro no pé” na vaidade do alcaide da cidade que viu sua promoção pessoal caiada não chegar aos píncaros da glória desejada na mídia, para todos e todas...

Contudo, pelo custo/benefício em época de vacas magras, a Tocha representa para os pauloafonsinos, além de uma Vitória de Pirro, um letal “presente de grego: sátira histórica e indesejável que tem o poder de tirar a alegria do que está em festa”. Apesar do implícito cerceamento e da perseguição posterior do imperador, o movimento SOMOS TODOS UTI, homens e mulheres de preto unificados pelo povo em uma só vestimenta na pacífica manifestação pro UTI, que foi elogiada inclusive pelos visitantes, conseguiu dar seu recado ululante e necessário para que os serviços públicos na Saúde sejam efetivados. Não se pode esperar a próxima vítima...

Infelizmente a TV não mostrou, nem mostraria, também para o Brasil e para o mundo o rio São Francisco agonizando e a face oculta de uma metrópole provinciana do Nordeste que perde seus filhos, todos os dias, por falta de uma Unidade de Terapia Intensiva enquanto seu acéfalo gestor, sem necessidade, coloca asfalto sobre asfalto jogando literalmente pelo ralo o dinheiro do contribuinte, suscitando suspeição em ano eleitoral.

O after Day, ou dia seguinte para o povo de Paulo Afonso, depois da curta passagem da famigerada tocha olímpica que já serviu até para promoção pessoal de Hitler e do Nazismo, é de choro e ranger de dentes pela violência crescente e suas sequelas e do descaso administrativo quando o “secretário das festas” prenuncia que “muita gente vai morrer do coração” e a imprensa vendida do prefeito, abestalhadamente, diz que não se faz UTI em Paulo Afonso porque irá atender mais pessoas de outras cidades do que as do município. Que pena..., que tristeza... Maquiavel estava certo: “conhece-se o príncipe pelas pessoas que o cercam...”

Epidauro Pamplona  

 

 

 

 

 


 

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