OPINIÃO: Nosso Destino (parte 1) - por Paulo Lima

30/09/2016

Primeira Mão Notícias 

 

 

 

 


Nosso Destino 1 - * Paulo Lima

Muito se tem falado da incapacidade das esquerdas brasileiras, quando se trata de desempenhar o papel que dela esperam os excluídos do País. Mesmo dos que admitem a falta de sentido na eliminação da díade esquerda-direita, neste mundo globalizado e absolutamente submisso aos grandes capitais. Até gente conhecedora da História não tem sabido refutar esse decreto que o neoliberalismo impingiu a todos.

O desaparecimento da esquerda, assim, passou a constituir dogma. Quem nele não acredita perde o crédito e vê jogada na lata de lixo qualquer tentativa de interpretar os fatos de hoje, cuidando de compreender os fatos que os antecederam. O processo histórico, portanto, soa a algo estranho à vida social. Uma espécie de consagração da canção de Zeca Pagodinho, “deixa a vida me levar, vida leva eu...”

A despeito de tudo, ainda há os que se veem como agentes da história, não seja por outro motivo, pelo menos para ver-se diferentes dos animais a que se chama de inferiores. Se estes não ostentam nível de compreensão que os faça libertos do processo biológico de que resulta a cadeia alimentar, ao homem cabe papel essencial à caminhada histórica da sociedade por ele mesmo criada.

Ser da natureza, o homem também o é da cultura, que ele mesmo constrói e à qual se afeiçoa. Daí a complexa inserção do indivíduo na sociedade, agente e paciente do processo ao mesmo tempo. E permanentemente.

Resgatar o passado, porém, leva a posições nem sempre coincidentes. É da experiência de cada indivíduo – e, em seguida, dos conjuntos de que ele faz parte – e da teia de interesses que o envolvem, o resultado da cultura na qual ele se insere.

No caso específico da posição relativa (será sempre bom lembrar, RELATIVA) do indivíduo, de que advém sua consideração como pessoa de esquerda ou pessoa de direita. Ao primeiro estão associados valores e sentimentos excluídos da orientação dos outros. Por isso, a solidariedade, a supremacia do coletivo sobre o individual, a busca do bem-estar de todos, a igualdade de oportunidade - tudo isso diz respeito à posição de esquerda. O contrário – o egoísmo, o individualismo exacerbado, o bem-estar como privilégio de alguns e a desigualdade, caracteriza a outra posição. Se coubesse uma síntese: tudo para uns e o mínimo para os demais. O conservadorismo dos direitistas, face-a-face o progressismo da esquerda. Assim foi na Revolução Francesa, assim será, até que a sociedade humana entenda o destino que está construindo – a hecatombe universal.

Não tem sido outra a trajetória da sociedade contemporânea, se não a prevalência dos sentimentos que orientam a direita, como se válida a transposição da competição que equilibra o mundo natural às relações sociais tecidas ao longo da história. Mesmo de sua fase agráfica.

Globalmente, percebe-se quanto vêm predominando essa visão inadequada do homem e dos sistemas sociais e políticos por ele engendrados. Animal superior, é na Política que o homem tem a oportunidade de revelar seus talentos e dispor deles para tornar a sociedade cada dia mais atenta às reais e permanentes necessidades dos que a compõem. Daí o conceito de Aristóteles, segundo o qual o homem é um animal essencialmente político.

Como o entendemos, esse caráter atribuído ao filósofo da Grécia Antiga repousa sobre a distinção que a mim me parece fundamental: cabe aos ditos animais inferiores orientar-se pelo INSTINTO; ao homem é reservada a peculiaridade de orientar-se segundo sua VONTADE.

Vontade e instinto, portanto, constituem a pedra de toque capaz de evidenciar as diferenças entre um e outros dos seres da Natureza. Porque o Homem, igualmente, o é. Sua convivência, porém, leva à formulação de mecanismos capazes de fazer surgirem e prosperarem sentimentos alheios aos demais seres da Natureza.

 

Paulo Lima é jornalista, professor, empresário e Editor-Chefe deste site

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