OPINIÃO: Nosso Destino (parte 2) - por Paulo Lima

07/10/2016

Primeira Mão Notícias

 

 

 

 


Nosso Destino 2


Aí me parece absolutamente razoável imaginar que no terreno da Política se oferece ao ser humano e à sociedade por ele construída a oportunidade de realizar em plenitude todos os seus potenciais, ao mesmo tempo alcançando a paz cada dia mais difícil. Diferente é estender à realidade social a experiência do mundo dito animal, cujo equilíbrio depende, sobretudo, da manutenção da cadeia alimentar. Os predadores cumprem sua função quando matam sua presa. E a luta na selva se restringe à busca de satisfazer os alimentos meramente materiais, tornando compreensível a matança generalizada. Segundo as leis da própria Natureza.

O Homem, porém, é quem cria as leis que regerão suas relações mútuas. Fazê-las em atendimento às necessidades de todos, e não apenas as de alguns, está à sua discrição. Estabelecer a igualdade de oportunidades, superando as diferenças naturais dos indivíduos é objeto de sua escolha.

Nem sempre fica patente a percepção dessa situação, do que resulta a produção de padrões inadequados à sociedade humana e comprometedores da paz desejada. Se ela o é, mais que mera manifestação verbal, lamentavelmente propícia ao aprofundamento das desigualdades.

Assistimos, hoje, em escala mundial, não mais que ao conflito pela apropriação das riquezas naturais e as produzidas por todos. Somente alguns se apresentam como produtores, esquecidos – quem sabe propositalmente? – da impossibilidade de produção sem trabalho coletivo. Mesmo os artistas mais inspirados não dispensam a contribuição de terceiros: o industriário que prepara as tintas de que se utiliza o pintor; o escritor que tem no produtor de lápis, canetas, computadores e outros equipamentos o viabilizador da criação; o médico que busca nas lojas os livros que fundamentam sua prescrição... e por aí vai...

Há, ainda, os que se dizem conservadores, como se houvesse o que conservar. A realidade atual revela grande parte da população mundial, acima de um bilhão de pessoas, morrendo à mingua. O continente africano é bem a ilustração disso. Pipocam aqui e acolá conflitos armados da mais variada índole, revelando inspiração única, ainda que escondidas nas mais hipócritas alegações. Ora se diz terem caráter político, ora se atribui a elas intenções estratégicas. No fundo, porém, está a busca de apropriar-se do maior quinhão do que resulta do trabalho comum. Nada além disso.

A derrubada das florestas, o acréscimo de poluentes na atmosfera, a disseminação da fome, da violência e de doenças facilmente controláveis, as práticas escravagistas, a opressão de povos inteiros, o fomento à atividade bélica – tudo isso e muito mais indica qual o destino da humanidade, mantidos os atuais padrões de relacionamento interpessoal, intergrupal, internacional e global: a destruição do Planeta.

Não há, portanto, como enfrentar a grave situação a que chegamos todos, porque ela é produto exclusivamente dos próprios seres humanos que habitam a Terra. Nem se pense possível responder aos desafios impostos aos contemporâneos, apostando nossas fichas no simples conhecimento. Muitas vezes, é porque o temos expandido e divulgado, que reunimos a capacidade de operar os efeitos que todos acreditamos estarem nos levando ao sacrifício generalizado.

Importante é produzirmos cada dia mais conhecimento científico. Importante é estimularmos a pesquisa, porque cada nova descoberta indicará caminhos mais tranquilos do equacionamento e da resolução dos problemas com que se há a sociedade humana. Mais importante, contudo, é entendermos que mesmo a ciência tem validade provisória. Ela se esgota quando novos conhecimentos se opõem ao que parecia verdade. E o era, até que novos conhecimentos foram produzidos e o contrariaram. Até que o permanente exercício investigativo deponha a verdade vigente.

Mais importante que tudo, portanto, é usarmos a ciência e a tecnologia dela muitas vezes resultante, orientados pelos melhores sentimentos e valores, quais sejam os que conferem ao ser humano o papel central de todo o processo social. E isso não se faz com os pés assentados sobre o egoísmo, o individualismo exacerbado, a competição ao invés da solidariedade, a exaltação das desigualdades, a acumulação injusta e opressiva, a transposição dos padrões selvagens para a vida social.

Em síntese e finalmente: ser de esquerda é desejar uma sociedade mais justa e concorrer para que tal objetivo seja alcançado. Ser de direita é consagrar a desigualdade, tornando a sociedade humana semelhante à sociedade animal, em que a predação é o motor e o sacrifício é voltado à simples sobrevivência material.

O nosso destino, feliz ou infelizmente, é aquele que desejarmos.

Paulo Lima é jornalista, professor, empresário e Editor-Chefe deste site

 



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