OPINIÃO: Análise, Diagnóstico e Propostas - por Paulo Lima

17/01/2017

Primeira Mão Notícias 

 

 

 

 

 

 

Análise, Diagnóstico e Popostas

Análise, diagnóstico e propostas não são a mesma coisa. Até aí, difícil encontrar alguma objeção. O que pode causar espanto, porém, é uma análise consistente e um diagnóstico coerente com ela desembocar em propostas que contrariam as premissas. Alguém diria tratar-se de comportamento esquizofrênico, que minha ignorância específica não permite avaliar.

Quem vê, ouve ou lê entrevistas prestadas pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso, geralmente, chega à conclusão DE que ele é dos melhores exemplos desse descaminho intelectual- chamemos assim, tratando-se de quem se trata.

Sempre que ouço o ex-Presidente falar, constato que poucos sabem expressar com tanta clareza o que veem na realidade nacional. Em muitos itens de sua análise, FHC lembra o professor da USP, antes de ter recomendado o olvido das palavras proferidas até subir a rampa do Planalto.

A análise e o diagnóstico chegam às raias da perfeição. Algumas vezes, encontram-se propostas coerentes, nenhuma delas experimentadas nos quatro anos em que ele foi Presidente eleito, mais aqueles que ele obteve, graças a expediente hoje apurado pela Lavajato.

Até recentemente, Fernando Henrique estava só, nessa prática deletéria. Pelo menos, nomes de expressão nacional ainda não se haviam manifestado da forma como um dia o chamado Príncipe dos Sociólogos Brasileiros o faz. Ou porque poucos dos seus contemporâneos sejam tão esclarecidos, pelo menos do ponto de vista acadêmico; ou porque a poucos é dada a preocupação com as coisas que dizem respeito ao interesse público, não ao negócio privado.

Pois faz poucos dias, o líder do Movimento dos Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, mostrou-se bom aluno do ex-Presidente.

Em entrevista concedida ao jornalista Mário Sérgio Conti, o economista fez uma análise que entendo precisa sobre as dificuldades por que passa o País. Não evitou, sequer, mencionar os fatos que mobilizam a Polícia Federal, a Justiça e os arraiais políticos, cada qual nas suas especificidades e segundo seus interesses também específicos.

A crise na economia, disse o líder do MST, é devida, sobretudo, às oscilações do mercado internacional, em que as comodities têm perdido espaço. A resposta a isso estaria na ampliação do mercado interno, fazendo com que os 204 milhões de brasileiros consumissem produtos nacionais. Isso, inclusive, permitiria promover a industrialização e o comércio com base nos produtos em geral primários que exportamos, dentro do território nacional. A reindustrialização, portanto, foi a providência recomendada.

Não se trata, como destacou Stédile, de ignorar o grau de internacionalização da economia, mas aproveitar nossos potenciais, para melhorar a qualidade de inserção do Brasil no processo inevitável e avassalador da globalização.

Ora, a ampliação do mercado interno depende de melhor distribuição da riqueza, e não seria o economista gaúcho que se oporia a isso. Ao contrário, defendeu-a.

Politicamente é que os nós de nossa economia devem ser resolvidos – disse o entrevistado por Mário Sérgio Conti. Nada a objetar.

Como fazê-lo? Aqui é que Stédile comete sua maior contradição. Propondo a recondução de Luís Inácio Lula da Silva à Presidência, o líder do MST afronta a nação, para além de desrespeitar os milhões de brasileiros vinculados a uma das mais respeitáveis (a comunidade internacional o diz) organizações civis em atividades no Planeta.

Lula é o responsável pela desmobilização dos movimentos sociais brasileiros, além de ter contra si o peso de acusações que todos os cidadãos desejam ver rigorosamente apuradas. Por enquanto, acumulam-se sinais de ilícitos por ele tolerados, autorizados, negligenciados ou, mesmo, praticados.

Os resultados amaciantes que ele alcançou, por sua fragilidade, estão todos ruindo, ao menor sopro dos atuais detentores do poder. Porque amaciava a sela dos cavalos, em décadas passadas, o pedaço de couro que protegia o glúteo dos cavaleiros deu nome às lideranças operárias do Brasil – pelegos. Se amaciam, estes já não conseguem mobilizar os proletários, ambientados a pelo menos oito anos na paz dos cemitérios.

Depois, somente um homem comprometido com as melhores causas da esquerda teria condições morais e políticas de tirar-nos do abismo a que a desigualdade nos condenou. Lula, sabem todos os que acompanham sua trajetória, nega peremptória – às vezes até agressivamente – ter sido um dia de esquerda.

E, aqui, em Paulo Afonso, o que vemos: uma recém campanha eleitoral municipal, onde, poucos e muitos, ainda falam sobre o dissabor da derrota de uma oposição, liderada pelo ex-prefeito Paulo de Deus, que poderia sim, aos olhos destes, ser a solução dos problemas citadinos, sem falar em alicerçar nessa singela mas importante cidade do interior da Bahia, um exemplo de boa gestão e administração dos recursos públicos, pelo menos, é o que preconiza o pensamento daqueles que viu Paulo atuar, outrora,  no Paço Municipal.

Se a análise de João Pedro Stédile é correta; se o diagnóstico por ele desenhado é preciso – sua proposta não poderia ser mais disparatada.

Paulo Lima é jornalista, professor e empresário - editor-chefe da Revista Star Bem e deste site

 



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