Cientistas conseguem novo avanço em técnica de edição genética

27/10/2017

Primeira Mão Notícias - foto divulgação

 

 

 

 

 

 

Com o novo avanço, será possível editar o RNA, em vez do DNA - o que traria a vantagem de não afetar diretamente o código genético do paciente

Um estudo publicado nesta quinta-feira (26), na revista Science, anuncia novo avanço em uma técnica que promete, no futuro, corrigir falhas no DNA de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro, evitando assim a transmissão de doenças genéticas hereditárias.

A técnica conhecida Crispr-Cas9 (ou simplesmente "Crisper") permite a edição do DNA, com o objetivo de eliminar mutações indesejáveis. Com o novo avanço, será possível editar o RNA, em vez do DNA - o que traria a vantagem de não afetar diretamente o código genético do paciente, segundo os autores da pesquisa.

Em agosto deste ano, um de cientistas provou que é possível utilizar a técnica Crisper para editar o DNA de embriões humanos e corrigir uma mutação associada ao risco de uma doença genética. A descoberta foi anunciada como o início de uma nova era da ciência aplicada à reprodução humana.

Desta vez, os cientistas do Instituto Broad e do Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT) e da Universidade de Harvard - todos dos Estados Unidos - desenvolveram um sistema, com base no Crisper, capaz de alterar individualmente os nucleotídeos do RNA, de forma precisa e programável.

Responsável por armazenar a informação genética e controlar a atividade das células, o DNA - ou ácido dosoxirribonucleico -, contém as instruções genéticas que coordenam todo o desenvolvimento e funcionamento dos seres vivos. O DNA é uma longa cadeia dupla de nucleotídeos - as "letras" que formam as instruções genéticas - arranjada em forma de hélice.

Os genes do DNA são expressos por meio de proteínas produzidas pelos seus nucleotídeos, com a ajuda do RNA - ou ácido ribonucleico. A função do RNA é transferir a informação do DNA para que as células possam sintetizar essas proteínas. O RNA é composto de uma só cadeia curta de algumas centenas de nucleotídeos.

"A capacidade para corrigir mutações que causam doenças é um dos principais objetivos da edição de genoma. Até agora, nós conseguimos desativar os genes indesejáveis muito bem, mas recuperar a função perdida de uma proteína é muito mais desafiador", afirmou o líder do estudo, Feng Zhang, pesquisador do MIT e do Instituto Broad.

"Essa nova capacidade para editar o RNA potencialmente abre mais oportunidades para que recuperemos as funções das proteínas e tratemos diversas doenças em quase todos os tipos de células", afirmou Zhang.

Edição química

O cientista explica que há dezenas de milhares de variações no código genético humano associadas a doenças. Embora algumas doenças envolvam múltiplas variações desse tipo, uma grande parte delas é resultado de uma só troca de "letras" do DNA.

Essas "letras", que compõem os nucleotídeos, são as moléculas citosina (C), adenina (A), guanina (G) e timina (T). Elas se apresentam sempre em pares de A e T, ou C e G. Segundo Zhang, metade das 32 mil mutações em um único gene associadas a doenças são causadas por uma simples troca de uma dessas "letras": quando aparece um G onde deveria haver um A, por exemplo.

Com o novo método, porém, é possível alterar individualmente as "letras" do RNA, trocando os nucleotídeos. Essa "edição química" é feita em apenas um dos nucleotídeos, convertendo bases C-G em T-A, e dispensando o procedimento de cortar a molécula de DNA como vinha sendo feito com o Crisper.

Assim, em vez de provocar uma modificação permanente no genoma da pessoa, ao editar o DNA, o novo método oferece uma opção mais segura e flexível para realizar correções nas células. "O novo método pode consertar mutações sem interferir no genoma, porque o RNA se degrada naturalmente e a intervenção é potencialmente reversível", disse David Cox, aluno de Zhang que é outro dos autores do estudo. Com informações do Estadão Conteúdo. 

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