Opinião: A Articulação do Planalto

06/01/2018

Primeira Mão Notícias 

 

 

 

 

 

 

Opinião: A Articulação do Planalto por Paulo Lima

Índole, diz o Novo Dicionário Aurélio, significa propensão natural, tendência característica, temperamento. Assim, conhece-se a índole de uma pessoa, pela observação de seus atos, mais que de suas palavras. Mesmo que se considere eivada da própria experiência social, a pessoa observada pode orientar-se em certa direção por motivos de tal maneira íntimos, que acabam por fazer do convívio social apenas adjutório nas situações em que se envolvem. Justifica-se, assim, a atribuição de naturalidade à propensão do indivíduo.

A tendência a agir de determinada maneira, não de outra, pela regularidade com que se apresenta acaba por transforma-se característica da pessoa. A sequência de seus atos revela, então, ser esse ou aquele o temperamento de que é portadora.

A propósito, é oportuno lembrar a anedota sobre a travessia de um escorpião, montado nas costas de outro animal. Como não dispunha de meios próprios para chegar ao outro lado do rio, aconteceu de aquele artrópode ter-se válido dos préstimos de outro animal, este sim, dotado de nadadeiras. Quando se preparava para deixar o dorso de seu transportador, o lacrau (que é como se conhece o artrópode em algumas regiões do Brasil) aplicou-lhe dolorosa ferroada. Interpelado pela vítima, o ingrato apenas retrucou: é da minha índole.

Revelava ali, o abjeto espécime, a inevitabilidade de comportar-se como era de sua própria natureza. Nascera para ferroar os demais que com ele se relacionassem, e não seria o fato de ter merecido as atenções e o favor do outro que revogaria seu destino, nem enfraqueceria sua propensão natural, afinal uma característica que o escorpião trazia consigo. Per omnia secula saeculorum.

Tudo isso dito (ou lido, não é?), podemos avaliar as mais recentes decisões do Presidente Michel Temer, de cujos bons propósitos só os beneficiários dessas mesmas decisões podem dizer favoravelmente.

Cai por terra, depois dessa - que não foi a primeira, nem a segunda, nem será a última - vez, qualquer tentativa de desqualificar os que o acoimam de acumpliciado a Eduardo Cunha, Romero Jucá e outros notórios escorpiões. A rigor, eles e tantos outros de sua coorte participam da mesma coletividade que as investigações da Polícia Federal, as promoções do Ministério

Público e as manifestações do Judiciário chamam de quadrilha.

Quando determinou a Joesley Batista que mantivesse o apoio a Eduardo Cunha, então já condenado, houve quem suspeitasse - absurdo! - de que a gravação era montada, uma falsidade. A esses incautos brasileiros, pouco a pouco o chão foi cedendo. As operações postas em prática, com o objetivo de impedir o aprofundamento das investigações sobre a conduta de Temer foram debilitando a crença dos ingênuos (se não também comprometidos).

Mais recentemente, o indulto feito por costureiras e alfaiates sabedores do manequim da clientela foi tecido por inspiração e determinação do escorpião que se instalou no Palácio do Planalto.

Chegar ao outro lado do rio é o que importa a Michel Temer. E aos que lhe dão as ordens. Até que estes últimos, investindo-se dos ferrões, agulhem o dorso de seu transportador. Então, o artrópode da política brasileira (um deles, na verdade) já terá cumprido a sina que a natureza lhe reservou. E os sócios exigiram.

 

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