OPINIÃO: Paulo Lima - BASTA DE ERROS

15/11/2018

Primeira Mâo Notícias - Opinião Paulo Lima

 

 

 

 

 

 

Basta de Erros - por Paulo Lima*

10 de novembro de 2018. Data em que, há exatamente há 81 anos, o País iniciou experiência que jamais deveria cair no esquecimento. Naquela tão longínqua quão infeliz data, era dado o golpe de Estado a que a História deu o nome de Ditadura Vargas. O Presidente da República governava após a chamada Revolução de 30, numa simulação de democracia. Simpático ao nazi-fascismo, mal combatera movimento inconsequente de 1935, preparava-se para golpear de morte o que restava de democracia no País.

A proteção paternalista ao trabalhador (exemplo dado por Mussolini), a desenvoltura com que operavam os órgãos repressores e outras medidas de caráter sobretudo nacionalista (o nazismo também fez isso) ameaçavam o Brasil de participar do Eixo. (Para lembrar os que sabem e abrir os olhos dos que não sabem). Se dependesse de Getúlio Vargas, acolitado por Felinto Muller e outros irmãos ideológicos, as glórias militares hoje festejadas seriam feitas à moda do fürher.

Para desfazer-se dos opositores, o ditador contou com os serviços de seu então Ministro da Guerra, general Góis Monteiro. Este, por sua vez, teve em um capitão - que, general, desencadeou o golpe de 1964 - decisivo e oportuno contribuinte. Ao capitão Olympio Mourão Filho foi atribuído, sem contestação assaz persuasiva, o Plano Cohen. Os que leram algum livro da história do Brasil contemporâneo sabem do que escrevo. Os que não o sabem podem procurar em bons livros, que os há em abundância.

Pois bem. Instaurado o Estado Novo, em 10 de novembro de 1937, dela adveio a "constituição", logo popularizada como "polaca" Menos pela inspiração, que pelas práticas das mulheres que se dizia terem nascido naquele país europeu.

Jamais houvera, antes, regime tão ofensivo aos direitos humanos. O ódio contra os pobres, a discriminação dos dissidentes, a perseguição aos críticos, a opressão da imprensa, o cerceamento do direito de defesa - tudo isso ocorreu, como soe ocorrer quando as liberdades da democracia burguesa são eliminadas.

A união de todas as forças que execram a ditadura e rendem homenagens, e as associam, à conduta democrática, acabou por forçar a queda do então ditador. Daí veio a imposição ao governo de aliar-se às forças que lutavam contra o Eixo.

Ganha a guerra pelas forças aliadas, ganhou o Brasil: a ditadura foi posta a correr. O marechal Dutra foi eleito em eleições livres, a despeito das restrições da legislação eleitoral.

O sangue derramado pelos soldados brasileiros, contudo, dera vida aos movimentos sociais, que acabaram por derrubar Getúlio Vargas.

Vive-se hoje no mundo uma nova onda de ameaças nazifascistas. A direita ocupa cada dia mais espaço, e não apenas em países fracos ou pobres. Em grande medida, pelos erros em que reincidiram partidos, lideranças e intelectuais que se pensam de esquerda. Nem por isso, têm aprendido a combater o bom combate. Ao invés, muitos preferem embarcar nas canoas furadas dos que têm os olhos postos apenas no poder. E. em lá chegando, tratam de pôr em prática o velho e condenável ditado: farinha pouca, meu pirão primeiro.

Esquecem-se esses de que, neste país tão bem aquinhoado, jamais a farinha será pouca. E que, quando aparenta ser, não é por outra razão, se não a voracidade com que ínfima minoria dotada de infinito egoísmo suga tudo e todos, para auto- beneficiar-se.

Também pesa nos mais recentes fracassos das esquerdas a amplitude com que tal conceito é classificado. Primeiro, porque não se exige de cada um dos protagonistas, líderes ou suas respectivas agremiações, compromisso expresso com a causa maior, a democracia. Depois, porque à guisa de revelar tolerância, admitimos existir companheirismo em quem não vê mais que a oportunidade de atender a seus interesses pessoais. Uma terceira, talvez o pior dos ingredientes, a incapacidade de exercermos permanente autocrítica. Daí a crítica também malfeita, ao ponto de entregar ao adversário algumas das bandeiras tão duramente erguidas.

Oitenta e um anos depois da instauração do Estado Novo - ainda é admissível errarmos tanto? Basta de erros!

* Paulo Lima é jornalista, professor e empresário - editor-chefe do site Primeira Mão Notícias

 

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