OPINIÃO: Em defesa do conservadorismo | Primeira Mão Notícias

OPINIÃO: Em defesa do conservadorismo


10/09/2019 08:35:05

Primeira Mão Notícias - OPINIÃO: Filipe Vasconcelos*

Em defesa do conservadorismo

Desde a Revolução Francesa, tem surgido muitas ideias revolucionárias, prometendo um mundo melhor, a redenção da humanidade. A ideia de redimir uma sociedade, por si mesma, não é ruim. O problema são as falsas soluções vendidas por ideias tidas como “iluminadas” e que são compradas por pessoas incautas.

É interessante notar que os intelectuais da Revolução Francesa elaboraram um documento chamado Direitos do Homem, que continha em uma das cláusulas a abolição da pena de morte; porém, o próprio Maximilien de Robespierre, que dizia ser contra a pena capital, aplicou a sentença de morte aos que eram contrários à revolução. Também esses tais “direitos” garantiam a liberdade de imprensa; mas a revolução foi o período em que pessoas estavam sendo vigiadas em todos os lugares, para que todos os que falassem mal do movimento fossem punidos. Qualquer declaração negativa iria garantir, no mínimo, um lugar na prisão. Postura bem coerente dos tais revolucionários!

Essa revolução foi um período de convulsão social que ninguém conseguia parar. Um dos que elaborava a lista dos inimigos da Revolução - Jean-Paul Marat - foi morto a facada por Charlotte Corday, uma mulher que desejava trazer a paz de volta ao seu país. Ela acreditava que matando Marat iria parar todo banho de sangue. Foi julgada, condenada e guilhotinada. A Revolução, mesmo assim, continuou e só terminou com a morte do sanguinário Robespierre, um dos principais líderes.

Alguns declaram que a Revolução Francesa trouxe benefícios aos dias atuais. A pergunta é: tanto terror e derramamento de sangue foi realmente necessário para trazer tais benefícios? Não me agrada em nada a ideia de justificar essa tragédia em nome de direitos.

A partir dessa revolução, surgiram as ideologias - ou religiões políticas - que prometem um mundo melhor, mas que resultam em opressão e derramamento de sangue, sendo que esse “paraíso” nunca chegou a se materializar até hoje. O positivismo, por exemplo, é uma ideologia que prega a subordinação da religião e da metafísica aos ditames cientificistas, numa vã crença de que ciência deve ter a primazia em tudo para se construir uma sociedade perfeita. Não nego que a ciência é útil à evolução da civilização, porém não pode estar acima da religião, de valores morais e de heranças culturais que sustentam a civilização. A própria ciência pode ser usada para o mal, o que a história tem demonstrado ao mundo. O resultado do positivismo é o controle do estado em todos os aspectos, tais como a cultura, a ciência, os costume. Tudo controlado e imposto de cima para baixo, ignorando que certos aspectos da vida humana são espontâneos e devem ficar fora da alçada de qualquer experimento sociológico imposto por qualquer governo.

O marxismo, com seu radicalismo, propõe a superação das diversidades para uma sociedade sem classes, pregando que o mal está na propriedade privada em si. Há uma versão atual dessa ideologia que prega a superação da família tradicional como forma de redenção da sociedade, para se alcançar um mundo “igualitário”. Essa ideologia vê a propriedade privada como um mal em si, ignorando que esta dá poder aos indivíduos frente ao estado tirânico e às demais pessoas mal intencionadas; vê a família tradicional e a religião como sustentáculos dessa propriedade, ou seja, a família tradicional, a religião e a propriedade privada são ruins em si mesmos, de acordo com essa ideologia. Assim, a família tradicional, a propriedade privada e a religião, naturais no homem, são vistos como inimigos da humanidade. É a criminalização da própria natureza humana. Trouxe devastação e destruição onde foi implementado, não importa a forma que tenha assumido. O marxismo não deu  e nunca dará certo. Não é natural no ser humano.

O conservadorismo, entretanto, não é uma ideologia, pois não possui um sistema estabelecido de ideias; não possui um programa ou metas, como o marxismo, o socialismo, etc; é antirrevolucionário porque preza pela estabilidade da ordem e por mudanças naturais e gradativas; é contra a idealização de uma sociedade perfeita, contra a destruição de tudo para se construir algo novo à partir das cinzas, em nome de um paraíso na terra.  Antes, é um sentimento de preservação da ordem natural, das tradições benéficas, dos costumes benéficos e de toda a sabedoria acumulada por milênios. Valoriza o aprendizado deixado pelos antepassados como um legado a ser mantido e transmitido para sustentar a civilização. Ama a sabedoria, pois é o que mantém todas as civilizações. É o resultado de observações, acertos e erros.

A respeito da sabedoria, o próprio Salomão, no livro de Provérbios, livro da Bíblia, escreveu o seguinte: “Eu, a Sabedoria, habito com a prudência e disponho de conhecimentos de de conselhos. O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço. Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria, eu sou o Entendimento, minha é a fortaleza. Por meu intermédio, reinam os reis, e o príncipes decretam justiça. Por meu intermédio, governam os príncipes, os nobres e todos os juízes da terra. Eu amo os que me amam; e os que me procuram me acham. Riquezas e honra estão comigo, bens duráveis e justiça. Melhor é o meu fruto  do que o ouro, do que o ouro refinado; e o meu rendimento, melhor do que a prata escolhida. Ando pelo caminho da justiça no meio das veredas do juízo, para dotar de bens os que me amam e lhes encher os tesouros”. Provérbios 8, do 12 ao 21. Creio que esta é a melhor síntese da sabedoria que o conservadorismo valoriza. As ideologias tentam se passar por verdadeira sabedoria; mas de sabedoria, não têm nada. São a falsa sabedoria. São as várias formas da mesma insensatez. A sabedoria é vinda de Deus e é suficiente para resolver os problemas pontualmente. Nada pode suprir a sua falta. Em qualquer lugar do mundo onde haja harmonia e estabilidade, a sabedoria, que é universal, se faz presente.

O Brasil precisa urgentemente aprender a verdadeira sabedoria com os mais sábios e experientes do tempo presente e do passado, por meio das experiências testemunhadas pela história. Precisa abandonar as ideologias para abraçar a verdadeira sabedoria, pois ideologias são ideias prontas que se cegam em si mesmas e que não admitem questionamentos. Nenhuma ideologia pode fazer uma leitura completa do mundo porque se fixa em poucos aspectos da natureza e do homem. Os resultados das ideologias provam a seguinte verdade: “O meu povo está sendo destruído porque lhe falta o conhecimento”. Ozeias 4:6.

Conservadores não são preso ao passado, muito menos em coisas antigas. Antes, valorizam a verdadeira sabedoria escrita nos livros e nos fatos, tendo o testemunho dos sábios de todos os tempos. Admitem mudanças, pois são naturais; porém, há leis essenciais que jamais irão mudar. São eternas. 

Todas as coisas benéficas, ainda que sejam mutáveis ou modificáveis, devem ser mantidas. Toda mudança tem que ser vista com muita cautela. É preciso prudência! Uma ordem social duradoura não pode ser construída de cima para baixo, de um governo central; não pode ser melhorada por nenhum experimento elaborado pela sociologia nem por outra ciência qualquer porque é impossível uma ordem perfeita. Só a verdadeira sabedoria mantém o que é bom e muda pontualmente qualquer estrutura com prudência. Nenhuma ruptura radical, seja ela estrutural ou cultural, trará benefícios a longo prazo. Devemos levar em consideração este conselho: “Não remova os marcos antigos que os seus pais colocaram”. Provérbios 22:28

* Filipe Vasconcelos é professor e jornalista

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