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OPINIÃO: A Imagem da Diplomacia Brasileira


13/01/2020 12:19:22

OPINIÃO

A Imagem da Diplomacias Brasileira

por *Paulo Lima

Diplomacia não é assunto para leigos. Mesmo quando eles assim permanecem, ainda que formalmente integrados a grupos profissionais. Quando não há a devida integração desses participantes, o mínimo que se pode esperar é o cometimento de equívocos às vezes irreparáveis.

A diplomacia brasileira, desde Rio Branco, vinha acompanhada da reputação de bom desempenho. Isso sempre garantiu posição respeitável do País no concerto internacional, de que a conduta de Osvaldo Aranha quando da criação do Estado de Israel é fato destacado. Graças ao papel desempenhado por nossos diplomatas, fixou-se a tradição de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas com a alocução do Presidente do Brasil.

Até os governos militares optaram por políticas diplomáticas orientadas pela defesa dos interesses de brasileiros, sem prolongado atrelamento à orientação de qualquer potência estrangeira. Nem sempre a maioria dos brasileiros terá sido beneficiária dessa diretriz, mas são raros os momentos em que a história mostrou tergiversação quanto a ela. Talvez Ernesto Geisel tenha sido, dos Presidentes fardados, o que mais claramente qualificou as ações da diplomacia brasileira.

Eram tempos, também, em que a reverência a símbolos de outras nações soberanas constitua crime de lesa-pátria. Impossível, então, admitir subserviência a qualquer governante estrangeiro, menos ainda quando o processo de globalização se espalha até os mais afastados territórios. Em contexto semelhante, a avaliação dos interesses nacionais não pode ser feita, sem a análise de múltiplas variáveis, mais que a preferência por esta ou aquela ideologia.

Fossem observados esses aspectos a meu entender relevantes, o Brasil não correria riscos como os que advêm da prática terrorista do governo norte-americano, no Iraque. Porque o assassínio do importante líder militar do Irã, na capital daquele país, não é menos que um ato assemelhado àqueles que Donald Trump diz rejeitar.

Soa como pilhéria a afirmação do Presidente dos Estados Unidos da América do Norte de que o fato de matar um chefe das forças armadas iranianas, em território estrangeiro corresponde ao propósito de combater o terrorismo. Ao contrário, é apenas mais uma - e, neste caso, inoportuna - das muitas manifestações do terror que ameaça a paz mundial.

A nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, por sua tibieza, não dissolve a impressão de serviço ao terrorismo de Estado praticado pelo governo Trump, nem ajuda a melhorar a combalida imagem que o Brasil projetou no último ano na comunidade das nações.

Na verdade, com o decorrer dos fatos, o que percebemos é que a nossa Diplomacia não está apta a dimensionar ou reparar acertos, erros e, até mesmo injustiças da Diplomacia como um todo. O que se vê é uma falta de observação e plena acepção do que é Terrorismo e do que possa ser Diplomacia.

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